Uma rainha em busca de novos súditos. E novos consumidores.

Por gocom 5 anos atrásNenhum comentário
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Rainha_Xuxa

Depois de um ano de negociações e semanas de suspense, este 5 de março marca oficialmente a contratação de Xuxa pela TV Record. Estranhamente, o que chamou atenção não foram os valores estimados da transação mas, sim, a quebra do paradigma “Xuxa-Globo”. Afinal, foram quase 30 anos de serviços prestados para a família Marinho.

Porém, se você é da geração que cresceu tendo a Rainha dos Baixinhos como companhia matinal, não espere que o mesmo vá acontecer com seus filhos e sobrinhos. É quase certo que o novo programa estará voltado para a família. A queda de audiência da loira nos últimos anos justificaria a mudança de rota. Um outro motivo forte para alterar o “mix” do produto é que o reinado de Xuxa perdeu força e sua marca já não vende tanto como antes (como foi dito pela própria cúpula da Record).

Para o mercado publicitário, o tabuleiro vê uma movimentação diferente nas peças. Primeiramente pelo “pé atrás” dos patrocinadores em relação ao formato e à linguagem, ambos novos à apresentadora. A preocupação é tanta que teria sido proposta a criação de uma nova diretoria de marketing na emissora, voltada exclusivamente a programas e artistas. Expertise, a Record já mostrou ter: se der à gaúcha metade do impulso que conseguiu o onipresente Rodrigo Faro, o investimento promete render muito.

Outra diferença diz respeito ao momento. Quando Xuxa começou na Globo, tínhamos apenas sete emissoras e não havia internet. Nos domicílios de hoje, há um aparelho de TV em cada cômodo e dezenas de canais; o núcleo familiar foi dispersado em meio a smartphones e tablets. Será que um programa “para a família” conseguirá reunir todos como antigamente?

Por último – e bem longe de ser o menos importante –, o público. Voltar o foco para os mais crescidinhos tem lá suas razões… afinal, o “Meu Primeiro Laptop” ficou obsoleto perto do iPad e o “Karaokê da Xuxa” não tem mais vez depois da Galinha Pintadinha. E, diante das restrições à publicidade infantil, como fica aquela imensa leva de produtos infantis licenciados? Nesse caso, estaríamos, então, prestes a encontrar no supermercado o “Xampu Antiqueda da Xuxa”? A ver os moleques escondendo “Camixinhas que tocam Ilariê” em suas carteiras? A ter meninas na dúvida entre comprar o “Abxorvente” com ou sem abas? Talvez tudo isso seja apenas um pequeno passo para a loira, mas pode ser um grande salto para a humanidade brazuca. E todo o dinheiro que ela movimenta.

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