Propaganda e jeitinho brasileiro: um infeliz casamento sem fim.

Por gocom 6 anos atrás1 Comment
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Casamento infeliz

49º Super Bowl; intervalo com show da Katy Perry. Não, a gente não está aqui para falar que americanos sabem fazer espetáculos e o Brasil não. Isso você já cansou de ler semana passada nas redes sociais. E é claro que não vamos dizer o contrário, afinal eles manjam mesmo da coisa. Mas a questão que fica no ar é: por que o que vem de fora sempre parece melhor? Por que o rodrigueano “complexo de vira-lata” nos rodeia tanto nessas horas?

O decepcionante exemplo da Copa do Mundo – abertura e fechamento – não deve ser usado para responder a essa pergunta pois, assim como os novos estádios, tais festas também tiveram de seguir o “padrão FIFA” e suas imposições. Seguir cegamente os protocolos internacionais impossibilitou darmos nossa cara aos eventos. Bem diferente dos desfiles de escolas de samba, que já foram considerados a oitava maravilha do mundo e aí chegaram graças ao talento e à iniciativa do pessoal dos barracões e comunidades, sem milhões e milhões investidos (pelo menos não nas primeiras décadas). Uma demonstração clara de que o jeitinho brasileiro, quando empregado da forma honesta, é um excelente caminho alternativo.

Quem sabe bem disso é a propaganda brasileira: só conseguimos decolar no cenário mundial quando enfrentamos as milionárias verbas dos gringos através de muita criatividade, perspicácia e uma boa dose de jogo de cintura. Ou o nosso jeitinho, como queiram. Foi mais uma demonstração de que “o que vem de fora” e “o que é feito aqui” são apenas coisas distintas, não cabendo necessariamente rotular como pior ou melhor.

O problema, no caso da propaganda, foi que a solução passou a ser regra e o vira-lata se tornou pedigree brasileiro. Na cabeça dos clientes/anunciantes, para que dispor de verbas imensas se o Brasil se vira só com uns trocados? Em vez do mercado crescer na medida que acumulamos conquistas e prêmios, acabamos ficando reféns de uma genialidade que dá conta do recado sem superproduções. Infelizmente.

Com menores investimento do mercado, as agências pagam menos e os talentos estão indo embora do país (fonte: Meio & Mensagem). O abismo entre as realidades, mercados e perspectivas é enorme; se não aproveitamos para estreitá-lo em momentos mais favoráveis de nossa economia, não parece que agora seja o momento em que isso vá acontecer.

Mesmo com uma bola de cristal, fica difícil vislumbrar o dia em que pagarão US$ 4,5 mi (valor das inserções no Super Bowl) por 30 segundos numa partida decisiva do Brasileirão, no capítulo final da novela das nove ou mesmo na transmissão do desfile da Sapucaí. Reverter isso é trabalho demais até para nossos carnavalescos e gênios da propaganda. Talvez nem nosso jeitinho dê jeito.

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