Problemas reais. Eleitores, nem tanto.

Por gocom 6 anos atrásNenhum comentário
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Faltavam ainda dez dias para as eleições quando veículos de comunicação noticiaram que vários candidatos (de diferentes partidos e Estados) usavam em suas campanhas fotos de “bancos de imagens” onde deveriam aparecer genuínos cidadãos brasileiros.

Parêntese: bancos de imagens são empresas que alugam fotos/vídeos para fins comerciais, uma prática amplamente empregada em comunicação, que baixa custos de produção e agiliza sua finalização.

Às vezes nem paramos para pensar nisso, mas o bonitão de sorriso perfeito pode nem conhecer o creme dental do qual é garoto-propaganda. A aspirante a modelo não ficou com aquele corpão só de usar o novo aparelho para abdominais que estão anunciando. O sanduíche comprado no fast-food nem de perto lembra o que você tinha visto na TV. Mas isso não o impede de escovar os dentes com aquela marca ou de tentar ficar com “tanquinho” usando aquele aparelho, ainda que o sanduba desengonçado não contribua para atingir essa meta.

As “imagens meramente ilustrativas” estão por todo lado, garantindo a todos que o que compramos nem sempre é o que nos fez querer comprar. Quando o consumidor se sente lesado, tem o direito de procurar o PROCON. Mas quando o eleitor é enganado e nem sabe, a quem ele recorre? Viria daí a revolta com as fotos alugadas para as campanhas políticas?

Uma das hipóteses para tal repercussão segue este raciocínio: se você deixar de comprar qualquer um dos três produtos citados acima por se sentir lesado, mas o resto do mundo continuar comprando, isso não fará diferença na sua vida. Mas no caso dos políticos, se aqueles que foram enganados continuarem ‘comprando’ o que não é real, você sofrerá os reflexos mesmo assim. E isso não é nada bom.

Outra corrente pode argumentar: se o Brasil tem 200 milhões de habitantes e mais de 5.000 municípios, por que é preciso ilustrar nossa realidade — seja ela boa ou ruim, de situação ou oposição — com locais e pessoas que não são daqui? Há quem diga que essa discussão tem apenas o intuito de tirar o foco das próprias campanhas e propostas (ou da falta delas), afinal nunca estivemos diante de uma disputa tão centrada no que o adversário tem de ruim, seja ele quem for. Se as soluções para o país não são a pauta, por que o cenário precisaria ser o Brasil?

E não podemos deixar de citar: quando alguém fala POLÍTICA no Brasil, todos ouvem desvio de verbas, corrupção, maracutaia… já apanhamos tanto que só filtramos o que é ruim. E com as fotos alugadas não seria diferente: não tem “imagem meramente ilustrativa” que dê jeito quando todo mundo já achou que estava sendo passado para trás.

Que as lições aprendidas nessa campanha nos sejam úteis daqui a quatro anos. Quem sabe, assim, sobre mais tempo para discutirmos o que é de fato relevante para o bem do país.

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