O beijo que arrepia anunciantes e consumidores

Por gocom 3 anos atrásNenhum comentário
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Beijo_gay

Dia 16 último foi ao ar o primeiro capítulo de Babilônia, nova novela da TV Globo. E o que se viu, logo de cara, foi qualquer trama ali iniciada ser covardemente sufocada pelo assunto da(s) semana(s): o envolvimento das personagens de Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg e o polêmico “beijo gay” por elas protagonizado.

A resposta à cena, por parte dos grupos conservadores da sociedade, foi imediata. Líderes evangélicos alertaram sobre o teor não unânime da novela que, além da homossexualidade, exibe ainda situações de violência e adultério. Vale lembrar que atores e atrizes são alvos comuns de pessoas que confundem vida real com ficção: se seus personagens são os mocinhos, é tudo uma maravilha; mas vilões devem estar preparados para qualquer reação adversa. A novidade, nesse caso, é que a espinafrada não poupou nem a Natura, patrocinadora da novela: Marco Feliciano, pastor e deputado (PSC), chegou a pedir que seus seguidores deixem de consumir a marca até que ela cancele seu patrocínio. Como se a empresa fosse coautora do enredo e responsável por aquilo que aparece em cada capítulo.

Ao que tudo indica, a Natura pagou de bode expiatório nessa história. Quem questiona a manutenção de seu patrocínio desconhece (ou despreza) tudo o que uma marca investe para chegar ali. E não se trata apenas de dinheiro, mas de muito planejamento, estratégia e pesquisa, tanto dela como de sua agência de comunicação. Espera-se que outros anunciantes não se assustem com tais fatos.

Voltando ao deputado, a coisa toda parece ainda mais exagerada se compararmos a outro programa recente da emissora carioca. Mesmo curta, a trama de “Felizes para Sempre?” acolheu assassinatos, corrupção, conflitos éticos, nudez, sexo e, claro, beijo gay. Será que o fato das protagonistas serem atrizes menos veteranas (Paolla Oliveira e Maria Fernanda Cândido) tornou suas carícias menos gays? Mais aceitáveis? Não parece fazer muito sentido. E outro ponto: apesar da personagem Dani Bond pilotar um Mini Cooper durante toda a minissérie, não houve nenhum movimento de boicote ao carrinho da BMW por associá-lo à prostituição de sua motorista.

Quem argumenta que a minissérie foi ao ar num horário “mais adequado” do que o da novela não pode esquecer que os dois programas são obrigados a exibir a indicação de faixa etária. Ou seja, basta o espectador atentar àquele numerozinho que aparece no canto da tela para saber se deve ou não pôr os filhos para dormir. Basta o espectador pegar o controle remoto e mudar o canal se achar que o conteúdo pode lhe ofender de alguma maneira.

Ou pode seguir aquele saudoso conselho da MTV: desligue a TV e vá ler um livro. No caso do povo brasileiro, ler vários.

Rodapé

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